quinta-feira, 5 de junho de 2014 | By: Igors Denali
Sua mão álgida tocando na face,
que calma e decência
se fazem sentir,
e lá dentro aos berros, querendo fugir.
E na vontade de ser novo
descontruindo-se.
Se desmanchando,
manchando o outro.
Nutrindo o nocivo
medo das sombras,
igual a uma criança
agonizando.
Em desespero o ciclo volta
a se repetir
já que o que se vê, reflexo nítido
não é, longe de tudo aquilo
que evidencia existir.

- Igor Denali
sábado, 26 de abril de 2014 | By: Igors Denali
Você não pode dizer que não lhe apontei a paisagem. Esses olhos, esse pulso, aquelas árvores. As curvas das suas costas. Jamais pode dizer que eu não sabia o que você queria ouvir. Eu sabia. E exatamente por isso que nunca disse. Não que eu quisesse lhe irritar, ou impedir que se cativasse por mim. Eu queria. Queria também te provocar, fazer dos seus lábios parte dos meus. Mas eu, tão altivo quanto o céu que não se acaba, e num entanto tão acovardado ao ponto de me esconder nos escombros, não lhe insultaria ao tentar lhe enganar com mentiras implantadas, minunciosamente, em minha cabeça por eu mesmo.


- Igor Denali
terça-feira, 22 de abril de 2014 | By: Igors Denali
Me afoguei em você um dia desses. Imaginei a água morna serpenteando nas curvas da sua face, virando uma queda d’água no seu queixo, e eu hora me afogando, hora flutuando. Me afogando. Fluindo nas poças acumuladas em suas covinhas, nessas que quis me enterrar até sumir dentro de você. Procurei por ar em todas as coisas que nunca tivemos, nos míseros momentos em que, sãos, deixamos o tempo abraçar-nos, e os acasos desfazerem, com desamor, o nosso amor. 

Continuei ali, me afogando. Por cada beijo na ponta do seu nariz que reservei, e reservados permanecerão. Por cada enrubescer das suas bochechas ao me ouvir suspirar seu nome de lado no travesseiro. Por cada noite daquele verão agridoce, adocicado.

Certo dia me afoguei em você. Com você, por você. Contei, ainda que por pouco tempo, cada gota, cada pingo de chuva que molhou a nossa terra, mas não floresceu nenhuma flor, a nossa flor.

- Igor Denali

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 | By: Igors Denali
Perguntaram-me o que era amor, eu obviamente, não respondi. Sinto-me incapaz de falar sobre isso novamente sem parecer repetitivo, não soando falso. Sendo eu. Como escritor, essa raça medíocre e infame na qual passei a me incluir, desses que dobram as palavras a gosto, oscilando entre meias verdades, mentiras descaradas e rascunhos ilegíveis em meia página escrita e meia borrada de alguma bebida ruim qualquer. Eu sempre preferi café. Inspiração torna-se mais palpável quando me vejo regado por duas ou doze xícaras de café amargo. E cá entre nós, explicar o que é amor ainda me foge à habilidade de ludibriar com palavras belas.

Segundo o dicionário, “amor” seria um amontoado de palavras recolocadas a modo de descrever, com exatidão, algo que alguém pode ou não sentir realmente. E acho então que alcancei o ponto no qual eu queria estar. Não me atrevo mais a tentar descrever com palavras algo o qual só pode ser provado em atitudes, despejei inúmeras ¹gotas do líquido segregado pelas glândulas lacrimais em inícios de histórias com fins, e jamais continuadas, histórias as quais demandaram folhas, lápis xícaras de café e tempo, muito tempo. Escrevendo e descrevendo, incansavelmente, a meu gosto e com minha alma, o que era o meu amor, desagregando valor, tanto à palavra, quanto ao que ela, com exatidão, deveria descrever.

¹Lágrimas

- Igor Denali
sexta-feira, 1 de novembro de 2013 | By: Igors Denali

O que eu mais admiro?

Admiro o vento na minha face todos os dias ao abrir a janela do nono andar onde moro, e até o modo como ele vergasta meu cabelo ao andar de bicicleta ou a cavalo na fazenda. O som do trem de carga que passa logo ali na praça da estação e que TODA VEZ me faz me sentir no caldeirão furado – no melhor sentido possível –, e o som dos pássaros muito evidente a todo instante na cidade dos meus pais. Admiro o céu nublado que cria climas ótimos para uma boa sessão de filmes, e também os dias ensolarados do verão que me permitem exibir o esforço extra na academia daquela temporada. (risos) Admiro meus amigos, aqueles verdadeiros que conto em apenas uma mão – e que cá entre nós, ainda sobram dedos, sabe? –, esses amigos difíceis de serem encontrados em grande quantidade, mas que valem por multidões, porque definitivamente vão lhe salvar em qualquer situação. Admiro minha família que jamais me abandona em momento algum, que reclama do meu consumismo exacerbado, das minhas manias de cirurgias plásticas e tratamentos estéticos. A família que chora, que se desespera, que grita, e até esperneia frente às minhas invenções com fins possivelmente trágicos, num entanto, por mais que não apoiem ou acreditem fielmente nas minhas invenções, buscam de todos os meios para me fazerem feliz. Admiro minhas ex-namoradas, que não são poucas, mas admiro ainda mais as que se tornaram amigas para a vida inteira, essas sim se superaram no quesito “suportar o Igor”. Admiro também meus inimigos, afinal, vocês ainda estão vivos?! Aproveitem, pode ser por um tempo consideravelmente curto! (risos) E acima de tudo, que não pareça uma citação absurdamente narcisista, mas provavelmente já sendo: Admiro-me muito, tanto por ter me transformado no que sou hoje, sem perder o que valorizava antes, buscar coisas grandes, porém estando ciente de que me sinto bem à presença de inúmeras coisas muito simples. Por ter conseguido amigos inigualáveis e não ter fraquejado frente a nada do que vivi até hoje. Pelas minhas conquistas já alcançadas, e pelas próximas, porque é claro, estou aqui para fazer coisas grandes! Feliz aniversário para mim. :)

- Igor Denali
sexta-feira, 20 de setembro de 2013 | By: Igors Denali
Me questiono até que ponto o que eu senti antes, pode ser sentido novamente na mesma intensidade.

Meio que começo a perceber que o que eu definia como amor, vai se desgastando com o tempo e não renova quando outro alguém entra em minha vida. Vai se esvaindo lentamente. E no fundo, Zé... No fundo isso é o que valoriza cada pessoa que passou pela minha vida, das que realmente significaram algo, e não as que foram aventura de uma noite. Certo que meu sentir é frouxo, mas consigo persistir, consigo fazer dar certo quando quero. Mas eu queria com alguma delas? Queria sim, Zé, mas você me conhece, conhece meus defeitos, sabe que quando me deixo levar pelo orgulho ninguém me faz voltar atrás. Doeu um pouco? Não, não penso muito sobre isso, então não dói... Tudo bem, sei que não há como enganar você. Dói às vezes, mais quando faço algo que eu fazia muito melhor acompanhado do que quando estou tentando não pensar. É que a falta de certos momentos acompanhado preenchem em vazio aqui dentro. Mas não qualquer companhia, Zé... Você sabe. 

Não tremo e meu sorriso não se dissolve. Entro e saio de relacionamentos como quem sai de um banho frio para o calor do verão, nenhum dos dois me faz realmente mal. Não é orgulho quando não demonstro fraquezas, só não as vejo em mim... pois amei, senti, fraquejei em incertezas e sofri, óbvio... não sou um monstro, vivi momentos incríveis com pessoas incríveis mas que desgastaram meu amor. 

Eu continuo me questionando até que ponto o que eu senti, pode ser sentido novamente na mesma intensidade, porém por um tempo consideravelmente maior. Acho que não existe tal ponto. Porque, Zé... ao contrário de tantas outras pessoas que conheço, quando outra pessoa entra em suas vidas, o amor se renova, e as histórias de amor passadas, acabam por não fazer sentido algum.

Eu amei e me desgastei por orgulho diversas vezes, não me arrependo de nenhuma. Sou completo sozinho, até que sinta a necessidade de algum acréscimo, e que tal acréscimo venha sem armas, na busca de uma boa história para contar, ou uma vida inteira para viver.  

- Igor Denali


Vem habitando em mim a correnteza do Niágara, um fluxo contínuo virtuoso em abundância de nada. Vem nascendo então de tal excesso de falta, a complexa necessidade de algo, quiçá por essa luta inconstante contra um inexistente monstro marinho, quiçá pelo descamamento do meu âmago na escassez de alimento - de qualquer precedência -. Não me é afável não ser um envoltório para alma alguma, num entanto não apetece meu paladar ser dominado por uma, (re)vejo-me na contradição da falta, da procura de tudo, da não certeza da necessidade de algo. 

Ser preenchido por algo de existência questionável. Uma alma inexistente, é, senão pior, igual a esse estado de permanecia inquieta, por mais que imóvel nesse fluxo interior constante de uma virtuosa abundância de nada. Na incerteza que um novo "nada" possa preencher o vácuo da concha em que me tornei, e me conduzir em ondas dessa Catarata à calmaria de um lago, na incerteza de que tal "nada" não seja assim tão pouco, na utopia do meu nada, na calmaria da minha correnteza, na contradição de minha ambição, o meu nada pode ser meu tudo.


- Igor Denali