quinta-feira, 28 de abril de 2011 | By: Igors Denali

Sobre papéis amassados e canetas sem tinta.

Aceita um pouco de café? Pois bem, que esteja servido se o sono começar a lhe escalar as pálpebras. Pode lhe ser de pouco interesse o que tenho para dizer. E o que tenho para dizer, talvez nem chegue a ser de seu conhecimento, afinal, demasiados são os motivos que me causam desgosto ao ponto de, novamente talvez, fazer de meus relatos apenas mais bolas de papel para minha montanha de sentimento descartado.

Sobre o amor: não há utilidade. É. Não me venha com ladainha ou me calo, não possuo muito que dizer, sou fraco em argumentos. O que sei é que frente aos acontecimentos recentes, tal sentimento não tem colaborado muito, e hoje, cai em mim: ele nunca ajudou em nada. Dor, dessas que se sente por dentro, cavada no peito, ou a mina que brota pelos olhos sobre efeito das lembranças, nem sempre tão boas nem sempre tão ruins?! Tive aos montes, sem remédio que curasse. A saudade diminui com o tempo, ou aumenta, depende do quanto você pensa, ou não pensa. Se é que me entende. Como pode ver eu tento não pensar, e é isso que me faz pensar quase em tempo integral. Algo tão banal. Já viu quantas pessoas amam?! Passo horas a fio rindo ironicamente destas criaturas infelizes. Se eu amo?! Não, obrigado. Ainda não vejo utilidade nisso. Certo, já amei. “Você esta ciente de que colocar isso no passado é errado, um sentimento como o amor é imortal”, você diria. Não preciso discutir o que não sinto, cale-se. Me calo. Não apenas pela falta de argumentos, mas amor é algo que há muito deixou de me causar insônia. Em que lugar mesmo deixei a xícara com o café?

Tudo bem, se quiser pode me ajudar a amassar.

Igor's Denali

quarta-feira, 6 de abril de 2011 | By: Igors Denali

Fui aprendendo da maneira mais torta

que um dia a vida acerta.

Vez enquanto bem demora,

assumo,

mas não me acanho, não há pressa.


Amém, já é noite.

Anoitecer preciso eu, dó de minhas olheiras.

Faço logo minhas preces.

Preces faça tu,

por compaixão, piedade.

Não mais lhe vejo com amor.

Sem nenhum no peito,

na verdade.


Peito enche de Clarisse,

boa leitura ao dormir, e às vezes me lembra tu.

Lembro de dormir,

de lado, sem sonhar.

Sonhar contigo, e comigo.

Ou talvez contigo sem “migo”,

prefere assim,

como quiser.


─ Igor's Denali

sábado, 2 de abril de 2011 | By: Igors Denali
Perdi-me no passado, foi. Ah! Meus amores, elas me amavam, eu as amava. O abraço. O sorriso que alcançava orelha a orelha em minha face, a moda era ser feliz. Os óculos eram coloridões, os aviões eram de brinquedo, a água era pura, as palavras eram confiáveis. Meus dentes iam caindo pouco a pouco, levando lembranças, deixando sorrisos banguelas, mas sempre sorrisos. Meus trocados se acabavam sem menor sentido. O céu girava e do ângulo exato podia-se ver meus ídolos todos lá, muitos que nem ídolos realmente eram. O sol doava um brilho sem dor, e na noite os músculos da face descansavam. Aquiescia-me às regras, sempre na espera de colocar-me novamente junto aos corpos agitados. Meu pai me fazia dormir no melhor cafuné de sobrancelha, confortando minhas pernas junto a ti. Na hora do sério, todos repetiam “Tudo vai ficar bem, apenas durma”, eu nem ao menos podia imaginar o quão importantes eram aquelas palavras, mas eu as venerava e de algum modo sabia que eram verdadeiras. Já fui e voltei muitas vezes, e isso já são muitas vezes mais do que gostaria. Já não vejo graça em observar as estrelas, nem em conversar sobre assuntos idiotas, apenas para ter o que falar. Aconteceu que, nessas tantas idas e vindas desnecessárias, corri o risco de perder minha essência, aquela. E de fato perdi. Perdi-me do quem me era importante. Dos meus sorrisos diários, dos intervalos entre essas inconstantes aulas da vida. Ah! Quanta saudade das brigas de dedões, dos jogos de dama, do futebol com latinha de refrigerante. Saudades de mim. Naquele tempo a esperança era desconhecida, a vida era feita do viver, sem nada mais para esperar. Eu era alegre ali, era inteiro. Não me comparava a nada, nem poderia: amava a mim mesmo com toda fé, e com isso eu podia amar a todos que me cercavam, sem receios. Mas isso já faz muito tempo.


Igor's Denali