quinta-feira, 29 de julho de 2010 | By: Igors Denali
Abaixei minha cabeça, amedrontado. Podia sentir sua presença, seu corpo se aproximando inocentemente – e talvez apenas por tal inocência se aproximasse - sem desconfiar do meu desejo. Forcei-me a não olhar, sabendo que no momento que seus olhos encontrassem os meus , tudo estaria perdido. Joguei levemente a cabeça para o lado, fazendo assim com que os cabelos caíssem nos olhos , camuflando-os. Recusei-me a pensar – mas como não pensar? Tudo o que mais desejei em toda a minha existência se aproximava de mim, e todos os meus sentidos ansiavam sedentos por isso. - Puni-me mentalmente naquele instante, mas sabia que era desperdício tentar resistir. Entreguei-me, desistindo totalmente. Levantei lentamente meu olhar por seu corpo, perdendo o foco por vários instantes durante o percurso até seus olhos. Os olhos, as incríveis janelas da alma. Ao enlaçá-los com os meus, fui tomado por sua segurança, estando já guardado em seus braços, senti as cores dos meus medos tremularem e se apagarem, acalmei-me ouvindo sua doce voz, assegurando que tudo ficaria bem, pois estaria sempre comigo.

Igor's Denali

sábado, 24 de julho de 2010 | By: Igors Denali
Sonhos, doces devaneios que ao luar satisfazem minha sede de você. Fico feliz enquanto isso. Meu corpo e minha mente variavelmente confusos e entorpecidos por essa necessidade que me causa, uma anestesia natural que me ajuda a superar a dor do amanhecer. Porque, por mais que tente voltar para nosso sonho, a realidade só deixa mais e mais claro de que não passa de ilusão. E como nunca será mais do que isso, continuarei, mesmo que doa, a sonhar e me perder em você.

Igor's Denali
quinta-feira, 22 de julho de 2010 | By: Igors Denali
Escuto uma voz falando sutilmente enquanto atravesso a linha do que julgo errado, mas incerta e inconveniente às minhas necessidades, é tão rapidamente eclipsada por elas. Em alguns instantes não há nada além de silêncio, mas ela volta, sempre volta. Gritos doentios me assolam, chegam em estranhos solavancos, censurando-me, como uma nuvem de tempestade pairando sobre meus erros.

Igor's Denali
quinta-feira, 8 de julho de 2010 | By: Igors Denali
Com toda sua magnitude - e falta de senso - inoportuna, destrói a barreira de auto-proteção cansativamente trabalhada, mas tão frágil e impotente quão possível, agora percebo. Toda essa sensação de ansiedade, medo, vontade e novamente medo, apesar de não saber exatamente qual sensação é o medo e qual é ansiedade ou vontade. Nessa confusão de pensamentos amontoados dentro de mim, me sinto tão inerte e sozinho. - Na verdade não me sinto, sou apenas os pensamentos que vagam, cada qual tão indistinto que mal sei mais sobre o que são e a quem pertencem. - Não sei. E o desejo, cada vez maior e mais gelado por dentro, mais quente e doentio por fora. Todas as sensações premeditadamente vãs, com o simples objetivo de roubar minha paz. Ninguém vai entender. Só eu sei o quanto isso ocupa em mim.

Igor's Denali

-Amor?
quarta-feira, 7 de julho de 2010 | By: Igors Denali
Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.

Caio Fernando Abreu