
Igor Denali
"Eu adoraria, mansamente, te fazer entender.
Jogados na noite mais escura da vida, seguir as linhas do teu corpo com meus dedos, percorrendo o momento de carne em êxtase tortuoso.
Corpos quentes, e almas frias.
Eu adoraria vestir teu corpo com o meu,
e ter a alma assaltada por teu silêncio que hesita.
Ou excita.
E talhar no teu queixo mais um beijo.
E buscar a simetria nos teus olhos revirados.
Eu adoraria tecer na tua pele nosso caos,
e esquentar tua alma com a minha.
E costurar o teu corpo com minha língua fria, em rios
que se alongam e esfriam.
O momento que se alonga e esfria.
Eu adoraria tragar o teu desejo palpável,
sentir o toque do teu suspiro.
E não esperar que acabe, mesmo que o mais belo em tudo, seja o anseio na ausência.
E continuarei adorando tua ausência,
tua distância,
e tua presença,
mesmo muito depois de partir."